terça-feira, 20 de novembro de 2012

Diário ~

(Uma descoberta)                           01.12.1418

Tudo estava indo de vento em poupa em Portugal.
Me cansei de ver Henri mudo e fui puxar assunto com ele!
- Perdoe-me Henri, mas não aguento mais vê-lo desse jeito. O que aconteceu?
Ele olhou em minha direção e sussurrou:
-Antoine não gosta que eu fale sobre o que aconteceu e sobre o que vai acontecer!
Chegando perto dele me abaixo sentando-me no chão, em sua frente.
-Mas ele não está aqui agora... E como assim do que irá acontecer?
Ele levantou-se e foi embora me deixando ali sem dar nenhuma explicação. Ficou sozinha, eu e a minha dúvida!
Pouco antes do sol nascer, Henri foi até onde estava meu caixão e bateu baixinho.
- Henri...
Ele olhou para todos os lados cautelosamente e disse-me:
-Irei lhe contar tudo! E dane-se o que for acontecer!
Esperou um pouco para que eu pudesse me ajeitar no caixão e começou a contar-me:
-Antoine me encontrou após ter acontecido um incêndio em minha casa, sinceramente acho que foi ele quem o provocou! Minha esposa 
 Jeanne estava la dentro e não conseguiu escapar...
Quando ele falou sobre sua esposa, uma lágrima correu de seus olhos. Eu não poderia imaginar que um vampiro poderia chorar.
- E quanto ao que irá acontecer é o seguinte... Antoine sabia onde encontrá-los e ele fez isto de propósito...
O interrompi dizendo:
- Como assim de propósito?
Ele tornou a falar:
- O nome dele completo é Antoine Lavoisier, reconhece?
Suspirei enquanto puxava na minha memória. Esse sobrenome não me era estranho!
- Claro, Lavoisier...James Lavoisier! Mas qual o motivo deles terem o mesmo sobrenome?
Enquanto eu e Henri estávamos conversando, Peter permanecia escondido atrás da porta escutando tudo!
- Isso mesmo! -confirmou Henri- Ele sabe da intenção de Peter em matar James e por isso quer impedi-lo matando-o antes! James e Antoine são irmãos! E Antoine tem o feitiço pra poder andar a luz do sol...Aqui está, copiei pra você. Infelizmente tem de ser dito por uma mulher e você também estava nos planos dele!
Peguei o feitiço e pronunciei as palavras, aprendi Latim quando estava com 14 e sei a pronuncia perfeita!
A tradução era mais ou menos está:

                                                Imortais sobre o dia andará.
                    E a tocha acesa no céu,
                    jamais lhe queimará!

Após falar isto, eu,Henri e Peter que estava ali atrás da porta sentimos um impacto, como se alguém tivesse nos empurrado com força para trás. Peter aproveitou já era de manhãzinha quando foi até o caixão de Antoine e levou para o pátio abriu o caixão que foi queimando Antoine lentamente até virar cinzas. Antes de ser totalmente destruído, ele olhou fixamente nos olhos de Peter!
Livre, mas por outro lado temendo a vingança de Peter sobre ele, Henri olhava para Peter enquanto ele se aproximava Henri ia indo cada vez mais para trás. Mandei que Peter não o machucasse e assim foi feito! Chegando perto da janela, observou o caixão no pátio e as cinzas sendo levadas pelo vento.
Henri apenas sorrio livre e logo me olhou.

               
                                              Henri William Laroche - 24 anos


Diário ~

(Elenco diferente)                                                                                      22.11.1418

Voltamos a Paris para fazer uma nova peça. Chegando ao fim da peça, livrávamos dos corpos quando chegou um homem diferente. Peter  preparava-se para atacá-lo, quando o pegou pelo pescoço e olhou em seus olhos, o homem soltou uma risada.
- Droga! -exclamou Peter- ele é um de nós! Qual o seu nome e o que queres aqui?
 Soltou-o esperando por uma resposta.
- Ei, Peter! Tem mais alguém com ele!
Falai em voz alta apontando para a direção em que estava o outro.
- Sou Antoine e este é Henri, meu empregado "vampiro" também! Bravo,bravo. Esplendida ideia. -dizia com certa ironia- um teatro só de fachada?! Amei, pena que não pensamos nisto antes não é Henri?
O outro homem apenas permaneceu em silêncio e de cabeça baixa, certamente estava com fome!

-Venha comigo Henri! -chamei-o fazendo um sinal com a mão- sobrou um aqui para vós se alimentar....isto é se quiseres!
Ele aceitou na hora, sem pestanejar. Estava basicamente uns 3 dias sem se alimentar, dava pra notar pela sua fraqueza!
-Qual seu nome completo Henri?
Logo depois de ter se alimentado olho-me e respondeu com voz baixa!
- Henri William Laroche, moça! Obrigado por me ajudar!
Desviava o olhar e logo lhe dizia:
- Me chame de Gii ou Giselle! Disponha, seu mestre é meio cruel não?!
Enquanto conversava com ele, Antoine respondeu a pergunta de Peter: 
- Estávamos pensando... O que achas de mais gente no teatro?
Eu e Henri adoraríamos se nos aceitasse convosco! 
Peter permaneceu pensativo, até que concordou!
-Está bem! Vocês podem ficar conosco, mas brevemente estaremos saindo de Paris, as pessoas estão começando a levantar suspeitas, pois os artistas nunca mais são vistos novamente!
Alguns dias depois, Antoine e eu, nos tornamos grandes amigos.
As peças eram repletas de alegria, nunca ficamos com fome, tiramos várias fotos juntos. Porém, tinha algo que me incomodava, Henri só pronunciava algo se perguntasse, o silêncio dele me deixava meio perturbada. Não falava de sua família e tão pouco se tinha esposa ou filhos!

                  
         
                   


                             Álbum de fotos!
Diário ~

(Memórias)                         21.11.1418


Já se passara um ano após a fundação do teatro que permanecia todas as noites lotado. Viajava-mos para vários países, para que não desconfiassem de nada.
Tirava-mos fotos a cada nova peça e a cada viagem. Já tinha meio que me acostumado a viver assim, não tenho outra alternativa mesmo... Como poderia sobreviver se fosse uma vampira com os sentimentos de uma mortal?!
A cada foto tirada, colava-mos em um álbum de memórias. Para relembrar dos dias em que passamos em lugares extraordinários.
Foi exatamente quando eu estava procurando o álbum que encontrei algo, parecia um livro antigo. Abrindo-o, percebo que é o diário de Peter!
- Hum.. ele também tem um diário!
Aproveitando que o mesmo havia saído, resolvi dar uma lida rápida tinha cada coisa incrível escrito sobre os séculos passados que poderia futuramente servir como informação ou ir para o museu!
Consegui ler apenas algumas páginas antes que ele volta-se.
Por pura sorte ou como dizem, por destino, acabei descobrindo quem foi seu criador e ao lado tinha uma foto. Mal deu tempo de guardar tudo correndo, mas quando estava saído pela porta do seu quarto ele perguntou-me desconfiado de algo:
- O que estás a fazer em meu quarto Giselle?
Fique paralisada com o susto e pensando em algo:
- Estava procurando o álbum! Estou curiosa sobre uma coisa...
Ele deu um longo suspiro e assentou-se em uma cadeira.
- O dia em que não tiveres será um milagre! E o que queres saber?
 Eu estava disposta a perguntar sobre o criador dele, mas achei melhor perguntar em outra ocasião. Ele poderia desconfiar de algo.
- Como se chama esta coisa com que tiramos as tal....am....fotos?
Quem criou?
Ele abriu um leve sorriso no canto dos lábios. E respondeu:
- Se chama Câmera. E eu quem fiz está... Aqui esta o álbum! 
Ele esticou os braços e pegou em cima de uma escrivaninha velha.
-Obrigado!
Saí dali e fui colar as fotos. E aquele nome ficou em minha cabeça, será que ele estaria vivo?!



Foto do criador de Peter B.




segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Diário ~

(O teatro)                                                                           20.11.1417


A cada dia que se passa está cada vez mais difícil nos esconder dos humanos e para nos alimentar-mos. Tivemos a grande ideia, tivemos não, ele teve. A ideia era criar um teatro de suspense, só que em vez de fingir-mos matar as pessoas que fariam parte da peça, mataria-mos de verdade. Nada de ficção.
Sedenta de sede, não tive outra escolha a não ser aceitar a proposta, por mais absurda que a tal parecesse!
- E qual será o nome?
Perguntei enquanto estava deitada no caixão. A luz do sol brilhava intensamente. Já estava com saudades de poder andar tranquilamente pelo dia.
- Ei Peter! Não tem uma maneira que possamos usar para andar durante o dia?
Ele me respondeu:
-Ainda não pensei no nome. E quanto a isto, só um feitiço antigo poderá fazer com que andemos ao dia!
Suspirei fundo e fiquei pensando em um nome por mais contraditório que fosse era uma boa ideia. 
-E você possui o feitiço?
Ele ficou um minuto em silêncio:
- Se eu o tivesse já teria usado-o, não achas?!
Ele tinha razão, mas as perguntas surgiam e eu não conseguia parar de interroga-lo.
- Estás certo, perdoe minha insolência! Se pelo menos
soubesse-mos onde procurar...
Ouvi a respiração funda que ele deu.
-Não tens de pedir perdão minha cara Giselle! Mas pare de fazer tantas perguntas e trate de dormir, logo já será de noite!
Fiquei em silêncio pensando em um nome, qual poderia usar?! 
Nossa, não sabia que era tão difícil arranjar um nome.
Hum.... Já sei! "Paradise Immortel" que em francês quer dizer: 
 Paraíso Imortal!
Quando chegou a noite eu lhe contei sobre a ideia para o nome. Ele aprovou, já que isso só seria uma fachada mas teria de chamar a atenção e ele não tinha nada melhor mesmo!
Durante várias noites, o teatro ficava lotado. E cada nova peça ,novos atores e atrizes!

                   
                          

Diário ~ Transformação

Diário ~

(Transformação)                      19.11.1417

Quando acordei, percebi que estava estranha. Mas por mais que tentasse lembrar o acontecido na madrugada era quase impossível!
Abri meus olhos com muita dificuldade, estava tudo escuro, como se o céu durante a noite tivesse desabado em cima de mim.
No instante que tentei mover minhas mãos, acabei batendo-as tinha uma espécie de tábua almofadada em cima de mim. Foi então, que percebi estar dentro de um caixão...
Quando empurro a parte de cima, e me paro sentada dentro do mesmo vejo que estou em meu quarto porém minha cama estava arredada bem para o canto e os caixões em outro canto, no ponto mais escuro do quarto. No mesmo momento em que coloco minhas pernas para fora, tentando me alevantar dali. Ouço a voz de Peter dentro do outro caixão que estava ao meu lado dizendo:
-Se eu fosse vós, permaneceria aí dentro!
Curiosa, olho para o caixão em que o mesmo estava trancado e pergunto:
-E se eu não quiser? Depois de tudo não ousaria obedece-lo!
Ele respondeu-me:
-Se não quiseres podes sair e nunca mais poderá voltar ou se quer arrepender-se. Já está amanhecendo e logo quando o sol tocar sua pele, lhe queimará como lenha em uma folgueira!
Me assustei com o que o tal havia me falado, vai que seja verdade?!
Deitei-me e fechei o caixão.Tinha muitas perguntas para fazer. Mas será que ele teria as respostas?
Chegava a noite e uma dormência consumia meu corpo. Ouço passos aproximar-se de onde estava meu caixão.
-Levante-se! -Dizia ele com a voz firme de um líder- Está na hora, precisas se alimentar! Isto é, se sobrou alguém por aqui...
Abri e olhei em seus olhos, meu corpo estava todo com formigamentos!
-O quer dizer com isto?
Peter abaixou-se em meu lado!
- Ontem após lhe transformar...hum..como você diz mesmo? Ah sim, em uma "morta", matastes todos os empregados de sua casa. Não lembras não é mesmo?
Suspirei fundo e falei:
-Isso é mentira! Jamais teria esta capacidade, além do mais não poderia matar todos, são muitos!
Ele deu um leve risada. E tornou a falar comigo:
- Como és realmente teimosa garota! Confesso-te que também jamais vi alguém com tanta fome. Mas se não estas acreditando olhe suas roupas!
Após olhar, fiquei parada em um estado de choque - se isso pode acontecer com um vampiro - estava completa de sangue, levantei com a ajuda dele e fui descendo as escadas devagar!
Vi corpos por todos os lados e sangue nas paredes. Aos poucos fui me lembrando do que havia acontecido. Lembrei-me dos meus gritos de dor e dos que matei!
É....infelizmente agora sou uma deles, IMORTAL!

             

sábado, 17 de novembro de 2012

Diário ~
                                                                                                                           17.11.1417

Durante uma noite rigorosa de inverso, eu andava calmamente olhando a paisagem sombria da bela Paris! Vestido longo verde com detalhes de cristais, um colar de esmeralda, salto alto e fino que era da mesma cor do vestido somente um pouco mais claro.
 Após festejar meu aniversário de 16 anos na casa de minha irmã Katlyn, vou para a minha casa na qual morava sozinha somente com meus empregados. Ao virar um quarteirão avisto uma figura entre as árvores da praça, parecia um homem que logo se aproximou de mim!
- Nossa Peter, você me assustou!
Peter Barton era meu vizinho que havia se mudado para a cidade uns 4 dias atrás, ele era um homem misterioso e solteiro. Tinha 24 anos. Então ele falou:
- Perdoe-me minha cara. Não foi minha intenção assustar-la!
Vejo que estás indo para sua casa.Estou certo?
Me perguntava enquanto passava sua mão pelo queixo. Enquanto isso um pequeno silêncio foi feito!
-Sim, estou! - respondi em tom firme - E vós?
Ele me respondeu com voz clara e calma:
-Também! Pensei em acompanha-la, já que estamos indo para a mesma rua!
Apenas olhei em seus olhos. Dizem, que quando olhamos nos olhos de uma pessoa podemos ver sua alma, mas com ele era diferente. Olhei fundo em seus olhos mas não pude ver nada, é como se fosse um abismo de mistério e sem fim!
Seus cabelos loiros com a raiz escura como se estivesse mudando de cor, ia até seus ombros. Usava um chapéu e um sobre-tudo que ia até o inicio de suas botas de couro. Para aquela noite fria ele usava pouquíssima roupa.
Chegando perto de minha casa,agradeci pela companhia e fui caminhando rapidamente!
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Já passará da 01:00 hora da manhã, quando ouço um pequeno barulho no corredor onde ficava meu quarto! Chamei por Maria Alicia, minha empregada de confiança, até que vi um vulto passar rapidamente descendo as escadas. Chamei novamente pelo nome, porém a mesma recusou responder-me. Não dei muita importância e voltei a deitar-me. Quando fecho os olhos ouço um pequeno passo , mas desta vez vinha de dentro do meu quarto. Mas como seria possível? Estava tudo trancado!
Bobagem a minha....novamente ouvi cada vez mais perto,olhei para o outro lado devagar e vi a sombra de um homem. Perguntei:
- Quem é você?
Mas não houve se quer uma palavra. De repente ouço outro barulho de janela se abrindo do lado anterior do qual eu estava. Me virei em um pulo e logo virei para ver o homem, já estava disposta a gritar, mas nem foi preciso ele havia desaparecido como fumaça.
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Na manhã seguinte, me vesti e fui falar com Maria Alicia e perguntar se era ela quem vi nas escadas ontem a noite. Ela negou, disse-me que não havia saído de seu quarto a noite toda pois os "mortos" haviam voltado a habitar Paris.
Fiquei sem entender nada, apenas ignorei, achando que fosse paranoia da coitada. A noite foi a mesma coisa da noite passada.
Então logo de manhã enquanto tomava meu café, resolvi perguntar sobre os tais "mortos" de que Maria Alicia havia falado.
A moça com medo não queria, me dizia que era apenas mitos, lendas criadas por seu povo sobre pessoas "imortais" que bebiam sangue. 
Mas de tanto insistir ela resolveu contar-me!
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Já sendo 3:00 da manhã o vulto apareceu novamente. Então lhe disse:
- Estás atrasado hoje. Sempre vens quando são 01:00 da madrugada e já são 03:00! E não fica nada bem para uma moça solteira como eu receber visitas noturnas de um homem!
Após ter dito isso houve um tremendo silêncio que logo foi quebrado por uma baixa risada. Então o homem falou:
- Bem, parece que já sabes o que sou... não é mesmo?
Respondi:
- Queres realmente que eu acredite que tu és vampiro?
Quando pronunciei está palavra o vulto aproximou-se rapidamente para cima de mim. Comecei a tremer. Ele percebendo disse:
- Queres uma prova?
Ele saiu pela porta de meu quarto e logo trouxe-me o corpo de Alicia.
-Oh meu Deus! O que fizeste com a pobre moça? Seu monstro!
Corri até a moça que já estava sem nenhum batimento e sem sangue nas veias!
-Me achas um mostro por ter de matar para me alimentar?
Vamos ver se você mudará a sua opinião quando for igual a mim!
O vulto se aproximou de mim e jogou-me contra a parede, duas presas apareceram e quando a lua refletiu seu brilho pela janela tocando o rosto dele falei em voz alta:
- Peter!
Foi então quem aquilo me transformou no que sou!
Isso foi a 1 ano atrás. Agora, como ele foi meu criador, será ele que terá de me ensinar tudo! Ainda não recuperei-me de tudo aquilo e sim, tenho raiva dele.. mas esta raiva foi amenizando-se com o tempo em que passei com ele e posso falar que ele não é tão ruim quanto se parece. 
O pior, é que estou começando a amá-lo [...]